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MANUAL DE COLETA

Informações Gerais


Acondicionamento e Transporte de Biópsias e Peças Cirúrgicas Para Estudo Anátomo-patológico e Citopatológico

A qualidade do laudo anátomo-patológico e citopatológico depende de uma série de fatores tais como: fornecimento dados clínicos completos, coleta e transporte adequados, descrição macroscópica, correta fixação dos tecidos e dos esfregaços, emblocamento em posição ideal dos cortes histológicos, coloração das lâminas, e finalmente, interpretação do patologista.
Qualquer elo rompido nesta corrente poderá prejudicar a exatidão e a prontidão do resultado. Por essa razão, o Instituto Moacyr Junqueira, através destas instruções, vem dar subsídios necessários à devida obtenção, preservação e transporte do material a ser examinado.
O objetivo destas informações é instruir todos os envolvidos (remetente, transportador, destinatário) em relação ao modo de envio/transporte dos exames anátomo-patológicos e citopatológicos, minimizando os riscos e visando garantir amostras de qualidade para diagnósticos precisos.

Escolha dos recipientes

Como regra geral, os frascos para anatomia patológica devem ser grandes e de boca larga para permitir a fácil colocação e retirada do material, além de conter a quantidade suficiente de fixador (recomendado dez vezes o volume do material a ser fixado amostras pequenas). O tempo e a velocidade de penetração nos tecidos e fixação são lentos; portanto, em materiais volumosos, sugere-se sua secção para melhor fixação.

Lembramos que o fixador endurece o material e vidros pequenos e rígidos podem alterar a forma da peça cirúrgica. As peças grandes devem ser colocadas em sacos plásticos firmes e bem vedados, de preferência duplicando a embalagem para evitar vazamentos, ou em frascos grandes. Os frascos utilizados para citopatologia têm tamanho e formato específico para tal fim e devem ser suficientes para acondicionamento de no mínimo três lâminas em ranhuras separadas para evitar que uma lâmina encoste na outra.

Os materiais devem ser acondicionados terciariamente em um recipiente rígido e lavável com identificação de acordo com a legislação, e para transporte ao laboratório. Esses recipientes devem ser submetidos a limpeza com álcool 70% (diariamente ou semanalmente). Em caso de situações especiais, o recipiente terciário deve ser lavado com água corrente e detergente clorado (após derramamento, etc).

Escolha dos fixadores

Anatomia Patológica/ Biópsias.

Formol: como regra geral o fixador universal para biópsias e peças cirúrgicas é a formalina a 10%, de preferência tamponada. A diluição deve ser de 1 litro de formalina comercial pura para 9 litros de água (se possível, diluir em água destilada). OBS: O material coletado e fixado em formol deve ser enviado idealmente ao laboratório no prazo de 12 a 24 horas, evitando que a amostra sofra alterações como mal fixação, autólise e acidificação. Todo material coletado deve ser fixado em formol 10%, exceto nos casos de biópsias retais para oograma, em que deverá ser enviado logo após coleta, imerso em soro fisiológico. Como regra geral o material pode ficar em formalina a 10% até a data de validade da mesma. O acondicionamento por longos períodos deve ser evitado; entretanto, devido a característica química da formalina, que tende a se transformar em ácido fórmico, prejudicando a fixação tecidual.

As Biópsias e peças cirúrgicas não devem em hipótese alguma ser acondicionadas em soro fisiológico, a não ser em casos especiais, que devem ser comunicados previamente ao laboratório (ex.: oograma, citado acima e envio de peças para estudo per-operatório/congelação). Nestes casos, a amostra deve ser acondicionada em frasco com soro fisiológico 0,9% ou sem nenhuma solução fixadora, e encaminhado imediatamente ao laboratório após sua remoção cirúrgica. A utilização de outros fixadores (álcool, etc) é permitida desde que justificada e autorizada pelo Instituto Moacyr Junqueira. O prazo de validade do formol deve ser, portanto, verificado em casos em que o material necessitará ficar acondicionado por um período mais longo.

Citopatologia

Álcool Etílico: como regra geral o fixador universal para lâminas de citologia é o álcool etílico a 96% (álcool 92,8INPM – grau alcoólico conforme Instituto Nacional de Pesos e Medidas) – referência 5. A amostra deve ser colocada em lâminas próprias (26x76mm), sob a forma de raspados ou “imprints” e acondicionada imediatamente dentro do frasco com álcool. Em hipótese alguma, a lâmina com espécime a ser fixada em álcool deve ser deixada para secagem ambiente antes de ser colocada no frasco, pois tal procedimento acarreta importantes artefatos de ressecamento nas células, prejudicando a interpretação.

Spray fixador: o spray fixador para citologia pode ser utilizado como opção para fixação de espécimes citopatológicos. O spray deve ser borrifado sobre a lâmina logo após a coleta do material, sem deixar que haja ressecamento do mesmo.

Lâmina seca: o material pode também ser enviado em lâmina seca (ressecada ao ambiente), sem qualquer tipo de fixação. Neste caso as mesmas devem ser colocadas no frasco próprio de citologia depois de colhidas. O material deve ser identificado como lâminas à seco para que sejam utilizados corantes específicos para tal situação.
OBS: O material coletado e fixado em formol, álcool ou spray deve ser enviado idealmente ao laboratório no prazo de até 48 horas.

Transporte

As peças e frascos com lâminas para transporte devem ser acondicionadas, devidamente identificadas, de acordo com a seguinte ordem: o recipiente primário (que vai em contato direto com a peça ou lâminas) deverá ser um recipiente rígido (frasco) ou maleável (saco plástico resistente). Para o transporte de amostras líquidas o funcionário deve sempre se certificar das posições dos frascos e acondicioná-las com papel absorvente caso não esteja envolvido. Logo após devem ser acondicionadas dentro de um recipiente secundário (plástico resistente do laboratório) que deverá ser lacrado. Em seguida são acondicionados no recipiente terciário (dentro da maleta de transporte) que é de material rígido e lavável. Em casos do transporte realizado por motoboy a maleta é colocada no baú, devidamente identificados conforme a legislação vigente. Para envio pelo correio, o recipiente/caixa deve ser identificada externamente com os nomes do remetente e destinatário, simbologia de sentido da caixa (lado para cima), simbologia de risco conforme legislação vigente (atual RDC 20 – referência 3 – “espécimes para diagnóstico”.

Os materiais devem ser transportados em temperatura ambiente, não havendo necessidade de controle de temperatura durante o transporte.
Diariamente os representantes devem transportar também consigo pelo menos 3 pares de luvas de procedimento para utilizarem durante a coleta, devendo solicitar pares adicionais, se necessário, nos hospitais ou clínicas/consultórios.
Em caso de acidente em via pública o representante externo deve fazer uso de EPI (equipamento de proteção individual) luvas para recolhimento do material e informar imediatamente ao laboratório. Estando ele impossibilitado de realizar este procedimento, há uma identificação no baú/caixa de amostra de material biológico informando telefone, endereço completo para que terceiros possam entrar em contato com o Instituto Moacyr Junqueira.

Rotulagem

As informações contidas no rótulo e/ou etiqueta devem ser legíveis, expressas em língua portuguesa com tinta indelével, à prova d’água.
A etiqueta fornecida pelo Instituto Moacyr Junqueira contém as informações do produto utilizado para cada tipo de material a ser fixado, incluindo medidas de primeiros socorros e simbologia com identificação de perigo.

Para rastreabilidade do produto utilizado existe tabela para marcação do mês, ano e lote de fabricação. A validade do produto é informada logo abaixo desta tabela.

Definição das Responsabilidades

As responsabilidades do remetente, transportador e destinatário devem ser definidas e documentadas, o termo de consentimento informado e esclarecido / livre e esclarecido (TCLE). É necessário para cada exame individualmente, em casos de transporte interestadual

Providenciar documentação para transporte do material biológico (listagem com relação dos pacientes, informações sobre o frasco e natureza do material) – referência 5 e 6.

Adotar medidas de segurança utilizar EPI – Equipamento de Proteção Individual;

Garantir as condições necessárias para conservação do material biológico;

Definir as condições para envio, transporte e recebimentos das amostras.

Em caso de envio das amostras, o remetente é responsável pelo acondicionamento e transporte da remessa enviada.

O remetente deverá informar ao destinatário informações específicas referentes ao transporte e as amostras enviadas (ver acima).

O transportador deve garantir a infraestrutura necessária para transporte desta remessa.

O modelo do Termo de Consentimento Informado é disponibilizado no site por meio do menu Formulários ou clicando aqui, e também pode ser solicitado por telefone ou email.

Direitos e Deveres do Paciente normatizados pelo laboratório estão descritos no procedimento de gestão da qualidade e disponíveis para consulta no site por meio do menu Formulários ou clicando aqui.

Devolução de Amostras

O recebimento criterioso do material enviado ao laboratório garante o processo adequado das amostras.

Critérios para devolução imediata:

1-Material biológico sem identificação
2-Lâmina quebrada
3-Ausência de amostra biológica e/ou lâmina no frasco
4-Ausência de pedido/ requisição médica
5-Nome do paciente diverge totalmente da solicitação médica e/ou guia.
6-Fracos inadequados e/ou solução fixadora inadequada.
7-Nº de frasco diverge com o descrito na solicitação médica.
8-Convênio não credenciado ao laboratório
9-Paciente em carência para realização do procedimento
10-Discrepância entre pedido do exame e o material enviado
11- Ausência de número do frasco no pedido médico/guia.

Critérios para pendência /contato com o remetente

Ausência de informação para cadastro/ informação incompleta:

1-Falta de descrição do material/natureza sede na solicitação.
2-Ausência de dados para cadastro (número da carteira)
3-Ausência de assinatura e/ou carimbo do médico solicitante.
4-Nome do paciente diverge em parte da solicitação médica.

Ausência de informação para cadastro/ informação incompleta:

1-Falta de descrição do material/natureza sede na solicitação.
2-Ausência de dados para cadastro (número da carteira)
3-Ausência de assinatura e/ou carimbo do médico solicitante.
4-Nome do paciente diverge em parte da solicitação médica.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1-RESOLUÇÃO CFM Nº 2.074/2014 – (Publicada no D.O.U. de 28 de julho de 2014, Seção I, p.91-2). Disciplina responsabilidades dos médicos e laboratórios de Patologia em relação aos procedimentos diagnósticos de Anatomia Patológica e estabelece normas técnicas para a conservação e transporte de material biológico em relação a esses procedimentos.

2-RESOLUÇÃO Nº 3665 de 04 de maio de 2011 – Agência Nacional de Transportes Terrestres. Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos.

3-RESOLUÇÃO – RDC Nº 20, 10 DE ABRIL DE 2014 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Dispõe sobre regulamento sanitário para o transporte de material biológico humano.

4-ANVISA – 2015 – Manual de Vigilância Sanitária sobre o Transporte de Material Biológico Humano para fins de Diagnóstico Clínico.

5- Manual de gestão da qualidade para laboratório de citopatologia/Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Coordenação –Geral de Prevenção e Vigilância, Divisão de Detecção Precocce e Apoio à Organização de Rede – Rio de Janeiro: Inca, 2012.

6- Portaria SMSA-SUS/BH 038/99 de 06 de julho de 1999.